Cantigas de Roda

 

Cantigas de roda
apresentam letras que influenciam o comportamento das crianças
estimulando seu lado violento?

Há uma corrente na educação que concorda e sugere que as letras das canções sejam alteradas. Eu me pergunto porque alteradas e não suprimidas e que outras sejam compostas?

cantigas Como toda manifestação folclórica, as cantigas de apresentam letras que retratam a época em que foram criadas. Na minha opinião, elas, assim como as músicas de ninar, atraem por seu lado melódico e pelo contexto em que são apresentadas e, por isso, não influem no comportamento e nem mesmo estimulam a violência.
Nessa fase da vida, as palavras são repetidas muito mais pela sonoridade e por algum mecanismo que faz certas idéias entrarem fundo na psique do que por seu sentido literal. Na brincadeira de roda, o mais importante é entregar-se ao movimento de rodar e, principalmente, fazê-lo em grupo, transmitindo e recebendo do outro a energia gerada pelo círculo, pelo estar junto.

A aprendizagem e seu derivado, o comportamento, dependem de uma conjuntura de fatores, como herança biológica, constituição individual e ambiente, e não só a letra de uma música. A versão nova ou a antiga terá pouca ou nenhuma influência no comportamento do indivíduo.
É necessário melhor formação das nossas pedagogas, maior compromisso com a educação para evitar essas bobagens que demonstram um total desrespeito às nossas tradições e não levam a lugar algum. A função do errado é valorizar o certo.

As letras das canções pertencentes ao folclore sofrem modificações regionais e ao longo do tempo. Elas vão-se adaptando aos tempos e aos costumes. Enquanto que as alterações “politicamente corretas”, não são espontâneas e tem por objetivo atender ao ideário de um certo segmento, numa determinada época e, com certeza, não persistirão. As escolas, infelizmente, estão sujeitas a modismos, essa onda também as atingiu. Foi um movimento que, ao tomar corpo, contribuiu para a crença de algumas cantigas incitavam a crueldade, como “Atirei o pau no gato”, numa visão rasa da natureza humana. Digo isso porque para incitar alguma atitude é preciso haver algo latente, pois o que não existe não pode vir à tona.
Como toda onda passará, talvez sendo substituída por algo pior ou mais perverso. Quem sabe?
Porque se preocupar agora com essa questão? As músicas tendo sido transmitidas a tantas gerações e não se tendo evidências comprovadas cientificamente de são geradoras de comportamentos violentos, porque mudar então?
Poderia ser porque nesses tempos de mudança, em que se afirma que a educação não atende mais as necessidades dos educandos nem mesmo as do mercado, os pensadores da educação estejam tão perdidos que não saibam reconhecer quais são os pontos que realmente deveriam ser atacados, embarcam em qualquer canoa.
É necessário melhor formação dos nossos educadores, maior compromisso com a educação para evitar essas bobagens que demonstram um total desrespeito às nossas tradições e não levam a lugar algum. A função do errado é valorizar o certo.